“Stoicism and the Art of Happiness” – Parte II

Seguindo na leitura do excelente livro “Stoicism and the Art of Happiness” passemos ao segundo capítulo. O post sobre o primeiro capítulo pode ser encontrado aqui: “Stoicism and the Art of Happiness” – Parte I.

No segundo capítulo o livro se aprofunda mais na questão da ética estóica, o que é a natureza do Bem? O que os estóicos entendem como o Bem, como virtudes, e por que isso é importante para se obter uma boa vida e a felicidade.

O capítulo começa por um esclarecimento: o que significava ética para os filósofos da antiguidade. Para eles, ética estava ligada a uma disciplina que levava ao desenvolvimento do caráter e da personalidade dos seres humanos, mais ou menos como o treinamento militar, atlético ou científico. Teria uma grande intersecção com o que chamamos hoje de desenvolvimento pessoal (ou auto ajuda, apesar de não gostar desse termo) ou até mesmo da psicologia moderna, se ocupando da saúde da mente.

Como comentei no post anterior, para os estóicos viver bem, uma boa vida, está associado a viver de maneira virtuosa e de acordo com a Natureza. Lembrando que para os estóicos isso significa entender o que está sob nosso controle e o que não está. O que não podemos mudar, é indiferente e não deve importar para nossa felicidade. Em relação ao que está sob nosso controle, isso sim definidor de uma boa vida ou não, devemos agir de maneira virtuosa (entraremos em mais detalhes sobre exatamente o que isso significa à frente). Ou seja, a mensagem principal aqui é: o que não está sob nosso controle, não importa pra nossa felicidade. Riqueza, saúde (no sentido de alguma doença que não podemos evitar, ou algum acidente que nos cause lesões), beleza e etc. Tudo isso é indiferente para nossa felicidade (muito embora para os estóicos alguns indiferentes sejam preferíveis a outros).

Em relação à virtude, para os estóicos isso está ligado a viver de acordo com nossa natureza de animal racional e social. Ou seja, de maneira sábia e justa, buscando conhecimento e  viver em harmonia uns com os outros. Essa busca por conhecimento dos estóicos, porém, não é algo subjetivo. É algo que tem conotações práticas e que seja aplicado no dia a dia. Consiste em enxergar as situações pelo que elas são realmente e responder da melhor maneira possível. Também são importantes as virtudes da coragem e da auto-disciplina, pois nos ajudam a superar nossos medos e desejos irracionais facilitando, assim, viver de maneira sábia e justa.

Para os estóicos virtude (aretê) está mais ligada a excelência e não a virtude no sentindo em que costumamos nos referir. Desse modo, a busca pela felicidade se torna a busca pela excelência, por fortalecer nosso caráter, por aprimorá-lo de modo a nos tornarmos pessoas melhores, em harmonia. Essa harmonia tem que ser atingida em alguns aspectos: com nós mesmos, com a razão, com a sociedade e com a Natureza. Voltamos então, ao ponto anterior: somos animais racionais e sociais, nossa natureza implica que a maior forma de excelência para um ser humano e, desse modo, o ponto crucial na busca pela felicidade, é a perfeição da racionalidade e da sabedoria. E nosso maior erro é a ignorância.

Desse modo, as virtudes podem ser separadas em 4 grandes categorias:

  • Sabedoria ou prudencia: bom senso, capacidade de se comunicar e transmitir suas idéias, raciocínio afiado, engenhosidade para resolver situações do dia a dia e etc. “saber o que tem que ser feito”
  • Justiça ou integridade: caridade, benevolência, honestidade, etc… “dar o que tem que ser dado”
  • Coragem: auto-confiança, perseverança face a adversidades, etc. “controlar os medos”
  • Auto-disciplina: inclui o auto-controle, modéstia, etc… “controlar os desejos”

 

Por fim, voltemos brevemente ao tema dos indiferentes. Como mencionei anteriormente, para os estóicos, tudo que não está sob nosso controle (e portanto não pode ser classificado entre bom/mau) é indiferente.

Com isso, os estóicos não querem dizer que é indiferente no sentido de que tanto fazer ser rico ou pobre, ser saudável ou doente, ter as duas pernas ou não, e no limite até estar vivo ou estar morto, e sim no sentido de que são indiferentes para atingirmos a felicidade. Tudo que importa para sermos felizes é aquilo que está sob nosso controle, nossas decisões, nossas percepções e nossas atitudes. Apenas isso.

Desse modo, os estóicos abrem margem para um classificação dos indiferentes, podendo ser um indiferente mais desejável que o outro, pois afetam nossa vida cotidiana. Por exemplo, é preferível ser rico do que ser pobre. Muito embora ser rico ou não, não deva afetar nossa felicidade. Assim como ter saúde, estar vivo e assim por diante.

 

Assim termino o post sobre o segundo capítulo do livro Stoicism and the Art of Happiness (o qual eu recomento fortemente a leitura, pode ser comprado aqui).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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