O que é o Estoicismo? Uma breve introdução.

Estoicismo é uma escola de filosofia criada na Grécia antiga, em Atenas, por volta do século 3 A.C. Seu fundador foi Zenão de Cítio  (Zeno of Citium). Zenão era um comerciante rico de origem fenícia que, segundo consta, perdeu tudo após um naufrágio. Desolado, encontrou consolo nos escritos de Sócrates, que foram o pontapé inicial para que entrasse no mundo da filosofia. Procurando por esses homens sábios (filósofos) foi encaminhado para Crates de Tebas, um dos maiores filósofos vivos e seguidor da escola dos cínicos.

Adiante em sua vida, Zenão abandonaria o Cinismo para fundar sua própria escola. Mas seus anos como cínico marcaram para sempre seu caráter, fazendo com que parte dos ensinamentos que adquiriu naquele período, estivesse presente nos seus ensinamentos, como veremos adiante.

No princípio, os seguidores de Zenão eram denominados Zenonianos, mas com o tempo passaram ser chamdos de estóicos, por se reunirem em um espaço chamado de “pórtico (Estoa) pintado” da Ágora de Atenas. Zeno optou por passar seus ensinamentos em público, para qualquer um que estivesse interessado, seguindo o exemplo de seu herói Sócrates, diferentemente de outras escolas filosóficas da época, que preferiam ambientes privados.

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Estoa de Attalos em Atenas (foto por Massimo Pigliucci)

Os estóicos separam sua filosofia em, basicamente, três áreas distintas, porém interconectadas: lógica, física e ética. O foco principal da filosofia é, sabidamente, a ética, porém os outros dois eram instrumentos que ajudavam no entendimento do mundo e, portanto, na formulação da teoria estóica e os pensadores estóicos se dedicavam em grande medida aos mesmos também. Isso os diferenciava dos cínicos, que se importavam apenas com questões éticas e torciam o nariz para os outros dois aspectos.

O Estoicismo, é importante frisar, foi sempre visto como uma filosofia prática. Ou seja, seu objetivo era afetar a maneira como as pessoas viviam suas vidas, a obter respostas para os desafios do dia-a-dia e ajudá-las a encontrar a felicidade ou melhor, responder a clássica pergunta: como viver um boa vida (ou uma vida feliz)?

Para atingir esse objetivo, os estóicos desenvolveram uma série de exercícios mentais e meditações, visando ajudar seus praticantes a lidar e superar emoções ruins e atingir seu objetivo final, a Felicidade suprema (Eudaimonia).

Essa Felicidade Suprema para os estóicos seria atingida apenas caso a pessoa em questão conseguisse levar sua vida de acordo com a Natureza. Não, não estamos falando dos Eco-chatos que habitam nosso planeta hoje em dia, nem sobre hippies abraçadores de árvores. Para os estóicos, viver de acordo com a natureza é utilizar nossa maior qualidade enquanto seres vivos, a razão, para aperfeiçoarmos a nós mesmos, buscando viver a vida de maneira virtuosa.

Ou seja, somos animais racionais e para viver de acordo com nossa natureza, devemos sempre agir pautados pela razão, buscando atingir nosso potencial máximo. Com base nisso, os estóicos criaram a figura teórica do sábio – o ser humano perfeito. O sábio, na visão dos estóicos possui a sabedoria prática perfeita e sempre age de maneira virtuosa (no sentido de sempre agir da maneira mais benéfica para ele e para todos envolvidos). Outro ponto importante, para os estóicos o ser humano, além de racional, é também inerentemente social. Isso significa que além de buscar o próprio bem, o estóico busca o bem de todos outros. Significa que o estóico não se importa apenas com seus familiares e amigos, mas com todos seres humanos desse planeta. Além da Sabedoria, os estóicos também dão bastante importância, portanto, para a Justiça.

O Estoicismo é, portanto, uma filosofia prática cujo objetivo é ensinar aos seguidores como se tornarem seres humanos melhores, a buscar a sabedoria, viver de acordo com sua natureza (como seres racionais) e com isso atingirem a felicidade.

Um ponto importante para finalizar essa breve introdução. Para os estóicos é de suma importância que consigamos diferenciar entre o que está dentro da nossa esfera de controle e o que não está. De acordo com os estóicos, o que é importante para que vivamos uma boa vida está dentro de nossa esfera de controle. Como citado acima, viver uma vida feliz é viver de acordo com nossa natureza (utilizando a razão e buscando a sabedoria) e, portanto, a única coisa que importa para que sejamos felizes são nossas atitudes – sendo todo o resto indiferente.

Esse é o conceito mais poderoso com o qual os estóicos presentearam a humanidade. Irei elaborá-lo muito mais adiante, pois é crucial para a aplicação prática da filosofia no nosso dia-a-dia. Mas pensem comigo por um segundo: quanto tempo da nossa vida passamos nos preocupando com coisas fora da nossa esfera de controle? Como isso nos torna mais infelizes, mais apreensivos? Quantas coisas aconteceram em nossas vidas que nos deixaram profundamente tristes, magoados, chateados e não eram nossa culpa? Deviamos ter nos preocupado com tudo isso? Deveríamos ter deixados coisas fora do nosso controle tornar nossa vida ruim?

Para os estóicos, não.

 

 

 

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Um comentário sobre “O que é o Estoicismo? Uma breve introdução.

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