Introdução ao Blog

Chega a ser engraçado como eu me interessei pelo Estoicismo. Foi uma daquelas coincidências da vida, que realmente não tem muita explicação.

Estava assistindo despretensiosamente aquele seriado Gotham com a minha namorada, e lá pelas tantas, em um episódio qualquer, o personagem Lucius Fox fala para o jovem Bruce Wayne que seu pai, Thomas Wayne, era um dos melhores homens que ele já conheceu, que se importava com as outras pessoas, que lutava por seus ideais sem se preocupar com sua integridade física, sua reputação, ou com o que os outros pensavam. Disse que seu pai era um verdadeiro estóico.

Achei graça naquilo, claro que já havia ouvido falar nos estóicos. Minha visão era aquela da maioria, que depois vim a saber que era totalmente errada, de que os estóicos tentavam virar robôs, suprimir suas emoções, e viver apenas baseados na lógica. Como se fossem o Senhor Spock, do excelente Jornada nas Estrelas. Achei na hora que tinha sido apenas uma tradicional “cagada de regra” dos roteiristas, pra dar uma arzinho mais glamouroso na série sem saber muito bem o que estavam falando, pois até então no seriado não havia nada ligando Thomas Wayne à visão que eu tinha dos estóicos até aquele momento. Mas como também nunca tinha lido nada mais formal sobre o Estoicismo, fiquei na dúvida.

Mas na hora não dei muita bola, e foi vida que segue. Até que um belo dia estava com um tempo livre no trabalho, pensando sobre a vida, e aquilo me veio a cabeça, meio que do nada. Resolvi dar aquela googlada tradicional e ai as coisas são um pouco confusas na minha memório, sei que fui lendo texto atrás de texto, descobrindo que está acontecendo um movimento de recuperação do Estoicismo nos dias modernos. E fui descobrindo que é uma escola de filosofia riquíssima, que não tem absolutamente nada a ver com minha visão prévia e, o mais importante, que é uma escola filosófica fundada com bases em conceitos que admiro e sempre busquei aplicar em minha vida, embora apenas de maneira intuitiva e sem guia algum. Mas voltaremos a isso mais tarde.

Voltando à história de como me envolvi com o estoicismo, o primeiro texto desse começo de descoberta do que é a filosofia estóica que me lembro com clareza, e que é o que eu considero minha porta de entrada oficial nesse mundo, é esse texto escrito pelo Ryan Holiday (autor e empresário famoso, da turma do desenvolvimento pessoal, ligado a Tucker Max, Robert Greene, Tim Ferris e etc e que – até então eu não sabia – é um estóico ele mesmo), entrevistando um outro expoente do Estoicismo nos dias de hoje, Massimo Piglucci.

A entrevista é básica, não conta nada de diferente para alguem que já conhece um pouco sobre o Estoicismo, mas foi meu texto introdutório oficial a essa filosofia. Ali aprendi que Marco Aurélio, o Imperador romano, não o jogador de futebol meia boca, era um estóico. Lembram do filme ´O Gladiador´ do começo dos anos 2000? Ele é aquele senhor gente boa que morre no começo e que queria tornar o Maximus o próximo Imperador, antes de ser assassinado por seu filho covarde. Isso, provavelmente, é falso, pois não há, até onde sei, evidência alguma que ele estivesse disposto a colocar outra pessoa no lugar de seu filho. Mas, pelo pouco que já estudei sobre a filosofia estóica, de fato Marco Aurélio era um ser humano exemplar. Era o homem mais poderoso de seu tempo, mas era humilde, tratava todos com justiça, não se deixou encantar por riquezas ou frivolidades, lutou e venceu diversas guerras e ainda escreveu, na forma de um diário, um dos livros mais importantes da filosofia ocidental. Um ser humano realmente foda (não tenho outra palavra aqui).

No texto aprendi também que o Estoicismo é uma filosofia prática. É voltada a responder de maneira objetiva os problemas e as questões do dia-a-dia de nossas vidas. De nos ajudar a encontrar a felicidade e de dar as respostas que precisamos para entender o que estamos fazendo aqui e o que é viver bem. Foi ai que fui fisgado. Sempre tive um interesse latente pela filosofia, mas nunca me aprofundei como gostaria, pois sou uma pessoa essencialmente pragmática e prática. Muito embora goste de navegar pelo mundo das idéias por vez ou outra, nunca estive disposto a gastar tanta energia para aprender algo que não tivesse clara conexão com a realidade. Eu sei que é uma visão um tanto simplista de minha parte, mas o tempo é nosso recurso mais escasso, então temos que gastá-lo com cuidado.

Por fim, foi nessa pequena entrevista também que peguei as primeiras indicações sobre o que deveria começar a ler para me aprofundar mais sobre a filosofia estóica. O primeiro, que eu recomento fortemente, é o livro Stoicism and the art of Happiness de Donald Robertson. Ele faz um excelente texto introdutório, explicando as origens, os preceitos fundamentais,  as derivações e as aplicações práticas do estoicismo.

Alem disso, alguns sites são citados ao longo do texto, aos quais passei a acompanhar diariamente e tem muito conteúdo, muitos textos introdutórios, muito material para práticas e meditações diárias e assuntos mais avançados: Stoicism Today (grupo de estudantes, filósofos e praticantes da filosofia estóica no geral, que organizam o evento estóico mais importante da atualidade),   How to be a Stoic (blog do professor Massimo), Daily Stoic e o próprio site do Ryan Holiday (que não é apenas sobre estoicismo, mas o assunto é recorrente por lá).

E qual o plano para esse blog? Bom, primeiro não pretendo escrever textos tão longos sempre – acabei me empolgando com esse primeiro. A idéia é usar o blog mais como uma ferramenta de estudo mesmo, conforme for avançando no meu estudo e prática da filosofia estóica, irei colocando material aqui. Resumo dos textos e livros que for lendo, situações práticas onde pude aplicar – com sucesso ou não – os ensinamentos estóicos e tudo mais que achar relevante.

O blog será anônimo,  pretendo seguir o conselho de Bill Irvine (autor de outro bom livro sobre a filosofia estóica nos dias de hoje A guide to the good life)  e adotar a prática estóica no modo stealth. Ou seja, adotar as práticas internamente, sem alarde, sem sair contando para as pessoas. Posso abordar meus motivos para tanto em outro post.

Mas se você vai fazer o blog de maneira anônima, por que publicar? Por que não fazer um diário?

Por que eu acho que no processo, posso acabar gerando material que interesse e, o mais importante, ajude outras pessoas que estão pensando em seguir por esse mesmo caminho. E, ademais, fazer o blog de maneira anônima não quer dizer que não possa, eventualmente, interagir com outras pessoas, apenas quer dizer que elas não vão saber quem eu sou.

Daqui pra frente, pretendo terminar de popular o blog com links relevantes e etc, e começarei fazendo uma análise do livro do Donald Robertson, capítulo a capítulo, trazendo os pontos que mais me chamaram a atenção.

Até a próxima.

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